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Saúde A-Z

Disponibilizamos para si um Glossário de A a Z, onde poderá aprofundar o seu conhecimento sobre alguns conceitos relacionados com a Saúde.
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Herpes simples
*in manual Merck

A infecção causada pelo herpes simples produz episódios recorrentes de vesículas pequenas e dolorosas, cheias de líquido, na pele ou nas membranas mucosas.

O herpes simples causa uma erupção na pele ou nas membranas mucosas. A mesma erupção desaparece, mas o vírus mantém-se num estado inactivo (latente) dentro dos gânglios (um aglomerado de células nervosas, que proporcionam a sensibilidade da zona infectada). Periodicamente, o mesmo herpes reactiva-se e começa a replicar-se, causando erupções cutâneas com vesículas, que se localizam no mesmo sítio em que apareceram anteriormente. Contudo, este pode estar presente na pele sem causar nenhuma vesícula evidente; o vírus nesse estado pode ser uma fonte de contágio de outras pessoas. As erupções podem começar em virtude de uma sobreexposição à luz solar ou então por um estado febril, pelo stress físico ou emocional, pela supressão do sistema imunitário ou pela tomada de certos alimentos ou medicamentos, embora, em geral, se desconheçam os factores que as desencadeiam.

Os dois tipos de vírus do herpes simples que infectam a pele são VHS-1 e VHS-2. O VHS-1 é o que determina a formação de vesículas sobre os lábios (herpes labial) e úlceras na córnea do olho (queratite por herpes simples). Em geral transmite-se por contacto com secreções da boca ou da sua vizinhança. O VHS-2 costuma causar o herpes genital e é transmitido principalmente por contacto directo com as vesículas, quase sempre durante uma relação sexual.

Sintomas e complicações

A recorrência do herpes simples pressente-se pelo aparecimento de um formigueiro, de um mal-estar ou comichão, que precede a formação de vesículas em várias horas ou até 2 ou 3 dias. Sobre qualquer zona da pele ou das membranas mucosas podem formar-se vesículas rodeadas de um bordo avermelhado, que em geral se formam na boca ou na sua vizinhança, nos lábios ou nos órgãos genitais. As vesículas (que podem ser dolorosas) tendem a unir-se, ao ponto de configurarem uma única zona afectada. Depois de uns dias, elas começam a secar e formam uma fina crosta amarelada e úlceras superficiais. A cura começa habitualmente uma a duas semanas depois do seu aparecimento e, em geral, está completa em 21 dias. Contudo, as vesículas formadas em zonas húmidas do corpo podem demorar mais a curar. Pode ocorrer cicatrização se as erupções continuarem a desenvolver-se no mesmo local ou então aparecer uma infecção bacteriana secundária.

A primeira infecção causada por herpes nas crianças pode provocar feridas dolorosas e inflamação da boca e das gengivas (gengivoestomatite) ou então uma inflamação dolorosa da vulva e da vagina (vulvovaginite). Estes processos também causam irritabilidade, perda do apetite e febre. Nas crianças pequenas e, com menos frequência, nas de maior idade, a afecção pode propagar-se pelo sangue e afectar órgãos internos, como o cérebro (uma infecção que pode ser mortal).

Uma mulher que tenha tido uma infecção com VHS-2 pode transmiti-la ao seu feto, especialmente se a tiver contraído durante os três últimos meses de gravidez. O herpes simples num feto causa desde uma leve inflamação da membrana que envolve o cérebro (meningite) até por vezes uma inflamação intensa do tecido cerebral (encefalite).

Se as crianças ou os adultos afectados por uma doença cutânea chamada eczema atópico se infectam com o vírus do herpes simples, desenvolve-se por vezes uma doença potencialmente mortal denominada eczema herpético. Por conseguinte, os afectados com eczema atópico deverão evitar estar perto de uma pessoa com uma infecção herpética activa. Nos doentes de SIDA, as infecções herpéticas da pele podem ser particularmente graves e persistentes. Essas pessoas também apresentam com maior frequência inflamação do esófago e do intestino, úlceras à volta do ânus, pneumonia ou anomalias nervosas.

Quando o herpes simples penetra através de uma lesão da pele do dedo, produz-se uma inflamação dolorosa e avermelhada da ponta do mesmo que recebe o nome de panarício herpético. Costuma aparecer frequentemente nos trabalhadores da saúde que nunca tiveram herpes simples e entram em contacto com fluidos corporais que o contêm.

Diagnóstico

O herpes simples costuma ser difícil de reconhecer. Pode ser confundido com uma reacção alérgica, outras infecções virais ou mesmo uma reacção cutânea medicamentosa. A localização das vesículas na superfície corporal pode ajudar a estabelecer o diagnóstico.

Se o médico suspeitar de que alguém está afectado de herpes simples, pode examinar uma amostra das suas vesículas ao microscópio. No caso de uma infecção pelo dito vírus, nas amostras aparecerão grandes células infectadas. As culturas do vírus, as análises de sangue que comprovem se aumentou o número de anticorpos e as biopsias podem confirmar o diagnóstico. De qualquer modo, raramente é necessário recorrer a esses exames. É possível estabelecer um diagnóstico num estádio muito precoce, usando novas técnicas, tais como a reacção em cadeia da polimerase, que pode ser utilizada para identificar o ADN do vírus num tecido ou humor corporal.

Tratamento

Geralmente, o único tratamento necessário para o herpes labial é manter limpa a zona afectada, lavando-a suavemente com água e sabão. Em seguida é necessário secar a área por completo; se as vesículas permanecem húmidas, a inflamação pode piorar, a cura atrasa-se e possivelmente favorece-se a superinfecção bacteriana. Para a evitar ou tratar, pode aplicar-se sobre a pele uma pomada com um antibiótico como a neomicina-bacitracina. Se aumentar cada vez mais a infecção bacteriana ou se ela estiver a provocar sintomas adicionais, podem administrar-se antibióticos por via oral ou através de injecção intramuscular.

Os cremes antivirais como a idoxuridina, a trifluridina ou o aciclovir costumam ser eficazes se forem aplicados directamente sobre as vesículas. O aciclovir ou a vidarabina, ingeridos por via oral, podem ser utilizados para as infecções herpéticas graves que afectam todo o organismo. Por vezes, associa-se aciclovir por via oral diariamente para evitar que se repitam as erupções, em particular quando os órgãos genitais foram afectados. Nos casos de queratite herpética simples ou herpes genital é possível que sejam necessárias medidas especiais de tratamento.



  
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