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Saúde A-Z

Disponibilizamos para si um Glossário de A a Z, onde poderá aprofundar o seu conhecimento sobre alguns conceitos relacionados com a Saúde.
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Gravidez - Cuidados pré-natais
*in manual Merck

A mulher deverá consultar o seu médico, de preferência antes de ficar grávida, com o fim de conhecer o seu estado de saúde e informar-se sobre os perigos de consumir tabaco, álcool e outras substâncias durante a gravidez. Nessa consulta, também podem ser tratados aspectos relativos à dieta alimentar e a determinados problemas médicos ou sociais.

É particularmente importante fazer um exame entre a 6.ª e a 8.ª semanas de gravidez (quando a menstruação se atrasa 2 a 4 semanas), com o fim de calcular a duração da gravidez e poder prever, assim, a data do parto com a maior precisão possível.

A primeira consulta durante a gravidez é quase sempre muito exaustiva. Determina-se o peso, a altura e a tensão arterial. Também se examinam o pescoço, a tiróide, as mamas, o abdómen, os braços e as pernas. O coração e os pulmões são examinados com um fonendoscópio e observa-se o fundo dos olhos com um oftalmoscópio. A revisão inclui um exame rectal e ginecológico, em que se comprova o tamanho e a posição do útero, bem como qualquer anomalia na pélvis, como por exemplo uma deformação secundária a uma fractura. A determinação das dimensões da pélvis é útil para conhecer com antecipação o grau de dificuldade que a passagem do bebé pela mesma provocará no momento do parto.

Por outro lado, colhe-se uma amostra de sangue para fazer uma contagem completa de células sanguíneas, análises para a sífilis, a hepatite, a gonorreia, a infecção por clamídias e outras doenças de transmissão sexual e testes para determinar o grupo sanguíneo e a existência de anticorpos anti-Rh. É recomendável fazer uma análise para a pesquisa do vírus da imunodeficiência humana (HIV). A amostra também é analisada para detectar uma prévia exposição à rubéola.

Nas mulheres também se fazem, de forma periódica, numerosas análises à urina e o teste de Papanicolaou (Pap) para detectar o cancro cervical. Às mulheres de etnia negra e às de origem mediterrânica fazem-se análises para detectar drepanocitose ou algum traço de drepanocitose. Se uma mulher tiver uma elevada probabilidade de conceber um feto com uma anomalia genética, fazem-se testes de detecção genética. Recomenda-se que se façam análises para a tuberculose nas mulheres da Ásia, da América Latina e em muitas zonas urbanas, onde o risco de desenvolver a doença é maior do que o normal. Uma radiografia só é exigível quando a mulher sofre de uma doença cardíaca ou pulmonar; de contrário, deve ser evitada a exposição aos raios X, em especial durante as primeiras 12 semanas de gravidez, porque o feto é muito sensível aos efeitos prejudiciais da radiação. Se for necessário fazer uma radiografia, deve-se proteger o feto colocando um avental de chumbo sobre a parte inferior do abdómen da mulher, para que o útero fique coberto.

Nas mulheres com antecedentes de recém-nascidos de elevado peso, abortos inexplicáveis, presença de açúcar na urina ou história familiar de diabetes, deve ser feita uma análise para detectar diabetes a partir das 12 semanas de gravidez. Às 28 semanas, esta análise deverá ser feita a todas as gestantes.

Entre a 16.ª e a 18.ª semanas, podem ser medidos os níveis de alfa-fetoproteína no sangue, uma proteína produzida pelo feto. Os valores elevados indicam que o feto pode ter uma espinha bífida ou que há mais do que um feto. Um valor elevado também pode significar que a data da concepção foi erradamente calculada. Se os níveis forem baixos, é possível que o feto tenha anomalias cromossómicas.

A ecografia é a técnica de visualização mais segura. Com esta técnica, a gravidez pode ser detectada pela primeira vez na quarta ou na quinta semana depois da ovulação e pode acompanhar-se o crescimento fetal até ao nascimento do bebé. A ecografia dá imagens de alta qualidade e até se podem ver cenas do feto em movimento, o que proporciona informação útil ao médico e é, por sua vez, estimulante para a mãe. Muitos médicos recomendam fazer pelo menos uma ecografia durante uma gravidez para se ter a certeza de que o seu curso é normal e para verificar a data prevista para o nascimento.

Antes de fazer uma ecografia abdominal, sobretudo no início da gravidez, a mulher deve beber grande quantidade de água, pois a bexiga cheia empurra o útero para a pélvis e isso permite obter uma imagem mais nítida do feto. Se for feita uma ecografia transvaginal, a bexiga não precisa de estar cheia e, além disso, pode detectar-se uma gravidez antes até da ecografia abdominal.

Se uma mulher e o seu médico não conseguem determinar a data da concepção, a ecografia é a forma mais rigorosa de o fazer. Neste sentido, a determinação da data é muito mais rigorosa se for feita durante as primeiras 12 semanas de gravidez e repetida depois na 18.ª ou 20.ª semana.

A ecografia pode confirmar se o ritmo de crescimento do feto é normal. Também é usada para registar a frequência cardíaca do feto ou os seus movimentos respiratórios, para detectar gravidezes múltiplas e para identificar várias anomalias, como a posição incorrecta da placenta (placenta prévia) ou uma posição anormal do feto. A ecografia ajuda a orientar a direcção da agulha quando se deseja obter uma amostra de líquido amniótico (amniocentese) para fazer estudos genéticos ou de maturação pulmonar e quando se tem de fazer uma transfusão de sangue ao feto.

Para o final da gravidez, a ecografia permite identificar um parto antes de temo (prematuro) ou confirmar a rotura precoce de membranas que se dá quando estas, que estão cheias de líquido e com o feto no seu interior, se rompem antes do início do parto. Por último, a ecografia pode proporcionar informação útil para decidir se é necessário fazer uma cesariana.

Depois da primeira revisão, uma mulher grávida deverá fazer consultas de acompanhamento de 4 em 4 semanas até à 32.ª semana de gravidez, depois de 2 em 2 semanas até à 36.ª e, por último, uma vez por semana até ao parto. Em cada consulta, são registados o peso e a tensão arterial da mulher, bem como o tamanho e a forma do útero para confirmar se o crescimento e o desenvolvimento do feto são normais. Colhe-se uma pequena amostra de urina para determinar a presença de açúcar e de proteínas. A detecção de açúcar pode indicar diabetes e a de proteínas pode indicar a existência de uma pré-eclampsia (tensão arterial elevada, proteínas na urina e retenção de líquidos durante a gravidez). Também são examinados os tornozelos para confirmar se incham.

Se a mãe possuir um Rh-negativo, verifica-se a presença de anticorpos anti-Rh; se a mãe for Rh-negativo e o pai Rh-positivo, o feto pode ter sangue Rh-positivo. Se o sangue Rh-positivo do feto entrar na circulação sanguínea da mãe em qualquer momento da gravidez, ela pode produzir anticorpos anti-Rh que, ao passarem para o feto, podem destruir os seus glóbulos vermelhos e provocar icterícia, lesão cerebral ou até a sua morte.

Uma mulher de constituição normal deverá aumentar aproximadamente um total de 12 kg a 15 kg durante a gravidez (ou seja, entre 1 e 1,5 kg por mês). Aumentar mais de 15 kg a 17,5 kg provoca um aumento do tecido adiposo, tanto no feto como na mãe. Devido ao facto de no fim da gravidez ser mais difícil controlar o aumento de peso, a mulher deverá evitar este aumento durante os primeiros meses. No entanto, se uma mulher aumentar muito pouco de peso, pode significar um mau presságio, em especial se o total do peso adquirido for inferior a 5 kg, pois pode indicar que o feto não cresce com suficiente rapidez (uma situação que se denomina atraso do desenvolvimento fetal).

Por vezes, o aumento de peso deve-se a uma retenção de líquidos por uma má circulação sanguínea nas pernas quando a mulher está de pé. Em geral, este problema é aliviado deitando-se de lado (de preferência para o lado esquerdo) durante 30 a 45 minutos, duas ou três vezes ao dia.

Durante a gravidez, a maioria das mulheres deverá adicionar 250 calorias à sua dieta diária, para nutrir o feto em desenvolvimento. Apesar de a maioria destas calorias dever provir de proteínas, a dieta deve ser equilibrada e incluir frutas frescas, cereais e verduras. Para isso, os cereais ricos em fibras e sem açúcar são excelentes. O sal, sobretudo iodado, pode ser utilizado moderadamente, mas devem ser evitados os alimentos excessivamente salgados ou que contenham conservantes. Não é recomendável seguir uma dieta para reduzir o peso durante a gravidez, inclusivamente para as mulheres obesas, pois reduz o fornecimento de nutrientes ao feto e é essencial aumentar um pouco de peso para que o desenvolvimento seja correcto. Apesar de, normalmente, o feto ter preferência no momento de receber os nutrientes, a mãe deverá assegurar-se de que estes são os adequados.

Geralmente, não se recomenda a administração de fármacos. A mulher grávida não deverá tomar nenhum fármaco, incluindo os que não precisam de receita (de venda livre), como o ácido acetilsalicílico, sem primeiro consultar o seu médico, em particular durante os primeiros três meses. A necessidade de ferro aumenta muito durante a gravidez para satisfazer a necessidade do feto e da mãe. Normalmente, a maioria das mulheres precisa de tomar suplementos de ferro (em especial as que sofrem de anemia) porque, em geral, as mulheres não absorvem quantidade suficiente de ferro dos alimentos para satisfazer as necessidades da gravidez, mesmo quando este se some ao armazenado no organismo. Por vezes, os suplementos de ferro provocam um ligeiro mal-estar no estômago e prisão de ventre. Por outro lado, há que ter em conta que a necessidade de ferro aumenta ainda mais durante a segunda metade da gravidez. Se a dieta for adequada, talvez não seja necessário contar com outros suplementos nem vitaminas, apesar de ser recomendável a administração diária de uma vitamina que contenha ferro e ácido fólico.

As náuseas e os vómitos aliviam-se fazendo alterações na dieta, tais como beber e comer pequenas quantidades com frequência, comer antes de ter fome e ingerir alimentos suaves (por exemplo, caldo, consomé, arroz e massa) em vez de pratos fortes e muito condimentados. Comer bolachas e beber uma bebida carbonatada também alivia as náuseas. Por isso, ter sempre bolachas junto à cama e comer uma ou duas antes de se levantar é uma boa solução para as náuseas matinais. Actualmente, não é aconselhada a administração de qualquer fármaco para tratar as náuseas. Se as náuseas e os vómitos forem tão intensos ou persistentes que a mulher fique desidratada, perca peso ou tenha qualquer outro problema, poderá ter de ser hospitalizada temporariamente e receber líquidos por via endovenosa.

O inchaço (edema) é muito frequente, sobretudo nas pernas. Também é frequente aparecerem varizes nas pernas e na zona que rodeia o orifício vaginal (vulva), que podem ser incómodas; daí que as peças de vestuário devam ser largas à volta da cintura e nas pernas. Do mesmo modo, usar meias elásticas ou repousar com frequência com as pernas ao alto, de preferência inclinada para o lado esquerdo, costuma reduzir o edema.

As hemorróidas (dilatação varicosa) são outro problema frequente e podem ser tratadas com laxativos, com um gel anestésico ou com banhos de água morna quando são dolorosas.

Frequentemente verifica-se dor de costas de intensidade variável. Nestes casos, pode ajudar muito evitar os esforços excessivos das costas e usar uma cinta de maternidade (pré-natal). Às vezes, sente-se dor no osso do púbis (sínfise púbica), que se localiza na parte inferior do abdómen.

A acidez, geralmente pelo refluxo do conteúdo do estômago para o esófago, pode melhorar fazendo refeições menos abundantes, evitando encostar-se ou deitar-se de forma completamente direita, pelo menos durante algumas horas depois de comer, e tomando antiácidos (excepto bicarbonato de sódio).

A fadiga é frequente, sobretudo nas primeiras 12 semanas e, de novo, no fim da gravidez.

Também é típico um aumento do corrimento vaginal que, geralmente, é normal. A tricomoníase (uma infecção por protozoários) e a candidíase (uma infecção por fungos) são infecções vaginais frequentes durante a gravidez, que facilmente podem ser tratadas. A vaginose bacteriana, uma infecção de origem bacteriana, pode provocar uma antecipação do parto e, em consequência, deve ser tratada de imediato.

Da mesma forma, pode aparecer apetência, ou seja, a necessidade imperiosa de comer alimentos estranhos ou substâncias não comestíveis, como amido ou barro. Isto talvez signifique uma necessidade nutricional subconsciente. Por vezes, o excesso de salivação pode provocar algumas queixas.

Muitas vezes, as mulheres grávidas preocupam-se em moderar as suas actividades. No entanto, a maioria pode continuar sem qualquer alteração e fazendo os seus exercícios habituais durante a gravidez. A natação e outros desportos que não exigem grandes esforços são muito adequados. As mulheres grávidas podem desenvolver actividades vigorosas, como a equitação, desde que (e quando) o façam com prudência. A líbido pode aumentar ou então diminuir durante a gravidez. O coito é permitido durante toda a gestação, mas deverá ser completamente evitado no caso de hemorragia pela vagina, dor ou perda de líquido amniótico e, especialmente, se aparecerem contracções uterinas. Algumas mulheres grávidas morreram devido ao insuflar de ar dentro da vagina, durante o sexo oral.

Todas as mulheres grávidas deverão saber quais são os sinais que indicam o início do parto. Os principais são as contracções na parte inferior do abdómen, em intervalos regulares, e a dor de costas. Todas as mulheres que já tenham tido partos rápidos em gravidezes anteriores deverão contactar o seu médico quando acharem que o parto está a começar. No final da gravidez (depois da 36.ª semana), o médico pode fazer um exame pélvico para tentar prever quando começará o parto.

Sintomas que se devem comunicar de imediato ao médico
  • Cefaleias persistentes
  • Hemorragia vaginal
  • Náuseas e vómitos persistentes
  • Perda de líquido amniótico (rotura da bolsa de águas)
  • Vertigens
  • Inchaço das mãos ou dos pés
  • Perturbações visuais
  • Aumento ou diminuição na produção de urina
  • Dor ou cãibras na parte inferior do abdómen
  • Qualquer doença ou infecção
  • Contracções

 

 



  
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