



A doença pulmonar crónica obstrutiva (DPCO) é a obstrução persistente das vias respiratórias provocada por enfisema ou por bronquite crónica.
O enfisema é uma dilatação dos pequenos sacos de ar dos pulmões (alvéolos) e a destruição das suas paredes. A bronquite crónica manifesta-se como uma tosse crónica persistente que produz expectoração e que não se deve a uma causa clínica perceptível, como o cancro do pulmão. As glândulas brônquicas dilatam-se, provocando uma secreção excessiva de muco.
As causas que obstruem o débito de ar na doença pulmonar crónica obstrutiva são o enfisema e a bronquite crónica. Geralmente, os cachos de alvéolos ligados às vias aéreas inferiores (bronquíolos) têm uma estrutura relativamente rígida e mantêm abertas estas vias. No entanto, no caso do enfisema, as paredes alveolares estão destruídas, pelo que os bronquíolos perdem o seu apoio estrutural e, por isso, entram em colapso quando expiram o ar. Por conseguinte, no enfisema, a redução do fluxo de ar é permanente e é de origem estrutural. Para a obstrução do débito de ar, na bronquite crónica, contribuem a inflamação das vias aéreas inferiores, a cicatrização das suas paredes, o edema do seu revestimento, o muco e o espasmo do músculo liso. Estes três últimos podem ocasionalmente variar de intensidade e melhorar em resposta aos fármacos broncodilatadores. Assim, na bronquite crónica a obstrução do fluxo de ar é parcialmente reversível.
Muitos milhões de pessoas sofrem de doença pulmonar crónica obstrutiva. É a segunda causa, depois das doenças cardíacas, de incapacitação laboral, sendo também a quarta causa mais frequente de morte. Mais de 95 % de todas as mortes provocadas por doença pulmonar crónica obstrutiva verificam-se em pessoas com mais de 55 anos. É mais frequente nos homens que nas mulheres e tem maior mortalidade nos primeiros. A mortalidade é também mais alta na etnia branca e nos operários do que nos trabalhadores administrativos.
A doença pulmonar crónica obstrutiva aparece muito frequentemente em algumas famílias, pelo que poderá ter uma tendência hereditária. Trabalhar num ambiente contaminado por vapores químicos ou poeiras não tóxicas pode aumentar o risco desta doença. No entanto, fumar aumenta muito mais o risco do que trabalhar em condições contaminantes.
A doença pulmonar crónica obstrutiva desenvolve-se, aproximadamente, em 10 % a 15 % dos fumadores. Os fumadores de cachimbo e de charutos sofrem-na com maior frequência do que os não fumadores, mas não tanto como os fumadores de cigarros. A incidência do risco de morte por bronquite crónica e enfisema é mais elevada nos fumadores de cigarros do que nos não fumadores. Com a passagem dos anos, a função pulmonar perde-se mais rapidamente nos fumadores de cigarros do que nos não fumadores. Quanto mais cigarros se fumarem, maior é a perda da função pulmonar.