



|
O primeiro passo consiste em aliviar a dor por meio do controle da inflamação. O tratamento tradicional é a colchicina. Em geral, as dores articulares começam a diminuir ao fim de um período de entre 11 e 24 horas depois de se ter iniciado o tratamento com colchicina e desaparecem ao fim de um período de tempo que varia entre 48 e 71 horas. A colchicina é administrada habitualmente por via oral, mas pode ser administrada por via endovenosa se causar perturbações digestivas. Este medicamento causa frequentemente diarreias e pode provocar efeitos secundários mais graves, como lesão da medula óssea. Actualmente, os medicamentos anti-inflamatórios não esteróides (AINE), como o ibuprofeno e a indometacina, são utilizados com maior frequência do que a colchicina, aliviam a dor de maneira eficaz e diminuem o inchaço da articulação. Por vezes prescrevem-se corticosteróides (como a prednisona) com o mesmo fim. Se só estiverem afectadas uma ou duas articulações, pode injectar-se uma suspensão de corticosteróides através da mesma agulha utilizada para extrair o líquido da articulação. Este tratamento elimina a inflamação causada pelos cristais de urato de maneira eficaz. Raramente se administram analgésicos adicionais (como a codeína e a meperidina) para controlar a dor. Também se pode imobilizar a articulação inflamada para reduzir a dor. O segundo passo consiste em prevenir as recorrências. Pode ser suficiente beber muito líquidos, evitar as bebidas alcoólicas e ingerir pequenas quantidades de alimentos ricos em proteínas. Muitas pessoas que sofrem de gota têm peso a mais. Com a perda de peso, os valores de ácido úrico no sangue voltam à normalidade ou a valores perto do normal. Em alguns casos, sobretudo nos ataques graves e recidivantes, inicia-se o tratamento farmacológico a longo prazo quando os sintomas do ataque desapareceram e prossegue-se a terapia entre um ataque e outro. A administração diária, em doses baixas, de colchicina, pode prevenir os ataques ou, pelo menos, reduzir a sua frequência. A terapia com anti-inflamatórios não esteróides também pode prevenir alguns acessos. Por vezes, está indicada a administração conjunta de colchicina e um anti-inflamatório não esteróide. Contudo, esta combinação não evita nem cura a evolução da doença causada pela acumulação de cristais e, em contrapartida, implica alguns riscos para as pessoas que sofrem de doenças renais ou hepáticas. Medicamentos como o probenecid ou a sulfinopirazona diminuem o valor do ácido úrico no sangue, aumentando a sua excreção pela urina. A aspirina não deve ser utilizada ao mesmo tempo porque inibe os efeitos do probenecid e da sulfinopirazona. Em contrapartida, para aliviar a dor, pode administrar-se paracetamol ou um anti-inflamatório não esteróide, como o ibuprofeno, com maior segurança. A ingestão de muitos líquidos (pelo menos três quartos de litro por dia) pode ser útil para reduzir o risco de lesões nas articulações e nos rins quando aumenta a excreção de ácido úrico. O alopurinol, um medicamento que inibe a produção de ácido úrico no corpo, é especialmente eficaz em pessoas com um valor elevado de ácido úrico no sangue e cálculos renais ou doença renal. Contudo, o alopurinol pode causar dores de estômago, erupção cutânea, diminuição do número de glóbulos brancos e lesões do fígado. A maior parte dos tofos das orelhas, das mãos ou dos pés reduz-se lentamente quando diminui o valor de ácido úrico no sangue, mas pode ser necessário extrair cirurgicamente os tofos demasiado grandes. As pessoas com um valor alto de ácido úrico no sangue, mas sem os sintomas de gota, são submetidas por vezes a um tratamento com medicamentos. Contudo, devido ao risco de efeitos adversos produzidos por estes medicamentos, o seu uso provavelmente não se justifica, a menos que seja muito elevada a quantidade de ácido úrico na urina. Nestes pacientes, o tratamento com alopurinol pode prevenir os cálculos renais. |