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Se uma cárie for tratada antes de fazer doer, é provável que o dano causado na polpa seja ligeiro, salvando-se a maior parte da estrutura do dente. Para a sua detecção precoce o estomatologista informa-se sobre a dor, examina os dentes com instrumentos adequados para detectar o grau de sensibilidade e de dor, podendo também fazer radiografias. O controlo dentário deve efectuar-se todos os 6 meses, embora nem todas as revisões incluam radiografias. Dependendo da avaliação do estomatologista sobre a dentadura, as radiografias podem fazer-se entre os 12 e os 36 meses seguintes. A chave para a prevenção da cárie baseia-se em cinco estratégias gerais: uma boa higiene bucodentária, uma dieta equilibrada, o flúor, as massas de obturação e uma terapia antibacteriana. Higiene bucal Uma boa higiene bucal pode controlar eficazmente a cárie da superfície lisa. Esta consiste na escovagem antes ou depois do pequeno-almoço, antes de deitar e em passar o fio dental diariamente para eliminar a placa bacteriana. A escovagem previne a cárie que se forma nos lados dos dentes e o fio dental atinge os pontos entre os dentes que não se atingem com a escova. Pode utilizar-se um estimulador gengival com pontas de borracha para retirar os resíduos de alimentos alojados na margem das gengivas e das superfícies que estão face aos lábios, às bochechas e ao palato. Qualquer pessoa com uma destreza manual normal demora três minutos a escovar os dentes correctamente. No início, a placa bacteriana é bastante mole e limpa-se com uma escova de cerdas suaves e fio dental, no mínimo uma vez por dia, o que também contribuirá para prevenir as cáries. No entanto, a placa bacteriana torna-se mais difícil de retirar quando se calcifica, processo que começa cerca de 24 horas mais tarde. Dieta Embora todos os hidratos de carbono possam causar um certo grau de cárie dentária, os maiores culpados são os açúcares. Todos os açúcares simples têm o mesmo efeito sobre os dentes, incluindo o açúcar de mesa (sacarose) e os açúcares do mel (levulose e dextrose), das frutas (frutose) e do leite (lactose). Quando o açúcar entra em contacto com a placa bacteriana, o Streptococcus mutans, a bactéria presente na placa, produz ácido durante uns vinte minutos. A quantidade de açúcar ingerida é irrelevante; o importante é o tempo em que o açúcar permanece em contacto com os dentes. Por isso, saborear uma bebida açucarada durante uma hora torna-se mais prejudicial do que comer um rebuçado em cinco minutos, embora o rebuçado contenha mais açúcar. Portanto, uma pessoa com tendência para desenvolver cáries deve evitar os doces. O bochecho depois de comer uma sanduíche de presunto elimina parte do açúcar, mas a escovagem é mais eficaz. Como prevenção é útil tomar bebidas não alcoólicas adoçadas artificialmente, embora as coca-colas dietéticas contenham um ácido que pode contribuir para a cárie dentária. Tomar chá ou café sem açúcar contribui para a prevenção da cárie, particularmente nas superfícies expostas das raízes. Flúor O flúor proporciona aos dentes, e ao esmalte em particular, uma maior resistência contra o ácido que contribui para a cárie. O flúor ingerido é particularmente eficaz até aos 11 anos de idade, aproximadamente, quando se completa o crescimento e o endurecimento dos dentes. A fluoração da água é o modo mais eficaz de administrar o flúor às crianças. Em alguns países a água já contém flúor suficiente para reduzir a cárie dentária. Contudo, se a água fornecida tiver demasiado flúor, os dentes podem apresentar manchas ou alterações de cor. Quando a água que se dá às crianças não contém flúor, tanto o médico como o dentista podem prescrever pastilhas ou gotas de fluoreto de sódio. O estomatologista pode aplicar o flúor directamente nos dentes de pessoas de qualquer idade que sejam propensas à cárie dentária. Também dão bons resultados os dentífricos que contenham flúor. Ocludentes Podem utilizar-se determinadas substâncias oclusivas para aumentar a resistência ao desenvolvimento de fissuras nos dentes posteriores. Depois de ter limpo cuidadosamente a área que deve ser coberta, o estomatologista acondiciona o esmalte e coloca um líquido plástico nas fissuras dos dentes. Quando o líquido endurece, forma-se uma barreira eficaz e todas as bactérias do interior da ranhura interrompem a formação de ácido sem possiblidade de contacto com o alimento de que necessitam. O ocludente dura bastante tempo; cerca de 90 % permanecem ao fim de um ano e 60 % ao fim de 10 anos, mas às vezes pode ser necessária uma reparação ou substituição. Terapia antibacteriana Algumas pessoas alojam na boca bactérias especialmente activas que causam a cárie dentária. Os pais podem transmitir essas bactérias aos seus filhos, provavelmente através do beijo. As bactérias desenvolvem-se na boca da criança, a partir da primeira dentição, e mais tarde podem causar cárie. Deste modo, a tendência para a cárie dentária de tipo familiar não reflecte necessariamente uma escassa higiene bucal nem a existência de uma alimentação inadequada. Uma terapia antibacteriana pode ser necessária em pessoas muito propensas à cárie. Em primeiro lugar, o estomatologista elimina a cárie da zona danificada e cobre com massa todas as cavidades e fissuras dos dentes; posteriormente prescreve um bochecho com um colutório (cloro-hexidina) durante várias semanas, para eliminar as bactérias que ficam na placa bacteriana. Com isso pretende-se que bactérias menos nocivas substituam as causadoras da cárie. Para manter essas bactérias sob controlo, devem fazer-se diariamente bochechos de flúor e mastigar pastilhas que contenham xilitol. |